O melhor crédito para estudar
Conheça todos os produtos do mercado. Juros cobrados variam entre 7% e 20%.
Sandra Almeida Simões
O regresso às aulas já tem data marcada e se as despesas das famílias portuguesas com crianças em idade escolar aumentam consideravelmente nesta época, para quem frequenta o ensino superior os gastos são muito mais elevados.
Pedir um crédito para financiar a licenciatura ou formação superior é uma solução, mas só para quem não tem capitais próprios. Um crédito de 16 mil euros, a pagar em cinco anos, encarece entre quase 7 mil euros e cerca de 10 mil euros, consoante a modalidade escolhida. Aliás, contrair um empréstimo dos bancos para estudar pode mesmo custar o dobro de um crédito pessoal.
As contas são da Associação da Defesa do Consumidor (DECO), publicadas na última edição da revista “Dinheiro e Direitos”, baseadas em dois cenários distintos: o crédito para uma licenciatura de 16 mil euros, a pagar em cinco anos, com carência de capital e libertação do dinheiro em quatro tranches. Neste caso, a linha com garantia do Estado é a oferta mais barata, com juros de 6,23%. Segue-se a oferta da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que cobra juros de 7,85%, enquanto o Banif tem juros de 14,81%.
No outro cenário – para uma pós-graduação por exemplo – o empréstimo é de 5 mil euros a dois anos, sem carência de capital nem entregas faseadas do montante de financiamento. Neste caso, o BES é o mais barato (8,17%), mas no entanto só financia propinas. O Popular cobra a taxa mais alta, de 20,23%.
A maioria dos produtos analisados pela DECO permitem ao aluno começar a amortizar o capital em dívida um ano após terminar a formação. Até lá, só paga juros (carência de capital). No entanto, esta opção encarece o custo total do crédito. O custo médio de um crédito de 16 mil euros, com carência de capital, é de quase 27 mil euros, enquanto sem carência fica por cerca de 24 mil euros. Por outro lado, optar por receber o financiamento em tranches, é mais barato, porque o estudante só pagará juros sobre os valores entregues. Ao dividir 16 mil euros por em quatro vezes, o aluno poupará 1.200 euros em cinco anos.
Principais características e custos de créditos para estudantes do ensino superior disponíveis no mercado nacional
Estado – Crédito universitário
Para todas as finalidades, é o financiamento que oferece a taxa mais baixa do mercado nacional, de 6,23% para um empréstimo de 16 mil euros a cinco anos.
CGD – Crediformação e Bolonha
A CGD tem o crédito para formação Bolonha e para não Bolonha. Até 50 mil euros, o prazo estende-se até 168 meses, com carência de capital até 12 meses após o curso.
Banco Espírito Santo – BESup Vida Académica
Este empréstimo, que poderá ser usado para todas as finalidades, apresenta uma taxa fixa de 8,15% e pode ascender aos 60 mil euros para quem vai para o estrangeiro.
BBVA – Super Crédito Pessoal
Disponível para doutoramento, mestrado e pós-graduação, com TAEG de 8,30%. O BBVA tem ainda o Super Crédito Pessoal. Licenciatura com um custo de 9,42%.
Banco BPI – Crédito Formação BPI
O banco liderado por Fernando Ulrich oferece dois tipos de produtos. Para os estabelecimentos de ensino com protocolo, a TAEG é de 8,99%, para os restantes é de 9,30% e não tem carência de capital.
Caixa Galicia – Crédito Pessoal Formação Superior
Financia de 1.500 a 30 mil euros, de 24 a 120 meses e possibilita a entrega de tranches, na data das propinas. Estipula a carência de capital durante 36 meses e aplica uma TAEG de 9,53%.
Banif – Para todas as finalidades
O Banif empresta de 3.500 a 50 mil euros, a pagar de seis a 120 meses. Permite a entrega por tranches, aplica juros de 14,81% e tem carência de capital até 66 meses.
Santander Totta – Crédito Master
O banco não permite tranches, empresta até 75 mil euros, por um prazo que se estende até 60 meses. Para um crédito de 5 mil
euros a dois anos cobra juros de 14,36% .
Banco Espírito Santo – Crédito propinas
Com a finalidade de facilitar o pagamento das propinas, o crédito do BES pode ascender a 5 mil euros, até 96 meses. Não permite a entrega por tranches e não tem carência de capital.
Banco Popular – Para todas as finalidades e formação
O Popular cobra 20,23% para um crédito de 5 mil euros a dois anos. Financia de 1.250 euros a 50 mil euros e não permite a entrega dos montantes de forma faseada.
Dicas da DECO
- A associação de Defesa do Consumidor, DECO, apresenta quatro sugestões para pagar menos.
- Contactar as câmaras municipais da área de residência. Algumas dão bolsas de estudo.
- Instituições, como a Gulbenkian a Fundação Oriente, têm bolsas para alunos carenciados, com boas notas ou que fazem investigação em áreas específicas.
- Pedir uma bolsa de mérito também pode ser uma solução.
- Para os estudantes trabalhadores, pedir um incentivo à entidade patronal é ainda uma alternativa.
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March 2nd, 2009 at 5:42 pm
Gostaria de saber como conseguir uma bolsa de estudos, ou um financiamento, porque estou querendo fazer medicina e o curso é muito caro.
Obrigada! Priscila.
June 11th, 2009 at 12:15 pm
Felizmente tenho bolsa, mas mesmo assim gostei de saber o que o credito estudante e ver que não compensa ao nivel de custos para quem tem que pagar propinas na universidade.