Regras básicas a ter com os bancos para se proteger de erros e atos de negligência

July 31st, 2010

Devido à minha profissão tive que tratar diversos assuntos com diversos bancos. A minha experência com os bancos pode ser considerada como: má! Existem bancos que funcionam razoavelmente, outros cujo serviço varia de balcão para balcão. Alguns bancos são muito maus, lentos, diria que muito lentos (já esperei 1 hora por atendimento, não estando ninguém a ser atendido e nem tendo ninguém à minha frente em espera, excepto eu, deu-me a impressão que estavam a ver se o cliente ia embora pois já eram 15:15 quando fui atendido, e fui obrigado a chamar o gerente para ser atendido). Alguns bancos tem funcionários mal dispostos e pouco colaborantes com os clientes. Quando dizem que nos telefonam, telefonam uma vez, se não atende porque está ocupado, nunca mais telefonam, ou dizem que telefonaram, mas que ninguém atendeu e o telefone não tem nenhum numero marcado! As pessoas que trabalham em bancos são humanas, por isso sujeitas a cometerem erros apesar de o setor bancário estar atualmente altamente informatizado.

Vou contar diversos casos que vivi com bancos maus. Tenho um cliente, que tem a hipoteca da sua casa num banco, nunca lhe consegui baixar o spread, ou se esquecem de lhe dar o resultado da simulação da revisão de “spread”, ou não dá, sai sempre mais alto, e ele faz amortizações antecipadas (através de um planeamento fiscal, plano que lhe desenvolvi, que lhe permite poupar 450 euros ano) todos os anos e já tem uma hipoteca inferior a 25% do valor da casa! Esse banco, sempre se esquece de fazer as amortizações ao emprestimo em tempo útil como definido pelas leis do Banco de Portugal (10 dias úteis). A última amortização que fez, tivemos que nos deslocar ao banco, porque levaram 6 meses para a fazer, e devido ao atraso quase que não conseguimos incluir essa amortização no IRS dele, e aquando da nossa deslocação ainda ouvimos da funcionária “Não posso corrigir isso, isso é impossível de fazer”, tendo nós cópia da ordem de amortização e o decreto-lei do Banco de Portugal o qual definia os prazos mínimos do banco para executar as ordens de amortização na mão! Tivemos que pressionar e requerer o Gerente e insinuar que iríamos para tribunal! Só assim, valemos os nossos direitos, e a situação foi corrigida em menos de 10 minutos! Repuseram os juros cobrados indevidamente logo e nos passaram uma nova declaração para as finanças. Mesmo assim o meu cliente foi chamado às Finanças e teve que explicar o sucedido, pois as declarações não batiam certo e perdeu mais 1 dia de trabalho, alem disso a devolução do IRS dele ficou atrasada 2 meses (engraçado é que o funcionário das finanças foi compreensivo e solidário, porque também tinha tido o mesmo problema com o mesmo banco, que pelo que me explicou também levaram meses e teve que fazer diversas deslocações ao banco para lhe resolverem um problema similar) até ao banco ter enviado a declaração correcta para as finanças. Para corrigir esta situação o meu cliente perdeu 3 dias de trabalho, porque para tratar de um emprestimo teve que deslocar à agencia onde a conta foi aberta, se for noutra agencia, o banco diz que trata do assunto e nunca trata porque alguns bancos tem imensas dificuldades em comunicar entre agencias (vi um funcionário a tentar ligar para uma agencia umas 5 vezes, sem sucesso, confesso que foi das poucas pessoas esforçadas que vi nesse banco), deslocamo-nos 50 kms para poder resolver a situação, já tínhamos ido a outra agencia sem sucesso, iriam resolver e telefonavam no dia seguinte, telefonaram a dizer que estava resolvido 3 horas após o fecho do banco, depois de “Nós” termos resolvido, no mínimo irónico!

Também já vi uma conta encerrada sem ordem prévia do cliente! Cobrança de custos a uma conta a 0,00€ há anos, cujo um dos titulares era um morto, mas o filho era o 2º titular da conta, conta que já se tinha esquecido que existia pois tinha morada desatualizada e fora aberta quando o filho era criança, não perdoaram a cobrança de custos, mesmo com a certidão de óbito nas mãos do cliente e lágrimas deste pela morte do pai!

Fiquei com a impressão, que a maioria dos funcionários de alguns bancos regem-se pelo princípio do mínimo esforço e aproveitam-se do desconhecimento dos clientes dos seus direitos para não cumprirem as suas obrigações e terem menos trabalho. E tentam fazer você pagar, mesmo que não seja obrigado a pagar por lei. Claro está, esta é a minha opinião, as opiniões valem o que valem, mas já vivi diversos casos em diversos bancos, dá para ter uma opinião de cada banco.

Como evitar problemas como os descritos:

Regras básicas a ter com os bancos para se proteger de erros e atos de negligência por parte de funcionários bancários:

Você deve sempre, mas sempre pedir uma cópia da operação ou ordem que deu ao seu banco. Se assinar uma folha, peça sempre cópia para si! Fez uma transferência online, imprima a cópia do documento, sempre, mas sempre. Como viu, no caso da amortização voluntaria antecipada não executada pelo banco, o que valeu ao meu cliente foi ter uma cópia da ordem da mesma assinada e carimbada pelo banco com 6 meses. Se não tivesse esse documento, já mais lhe iriam corrigir esse erro, por falta de provas. Foi essa prova que fez com que a funcionária preguiçosa resolvesse essa situação, pois caso fossemos para tribunal, seria a prova material da negligência do banco e poderíamos pedir uma compensação perdas por danos financeiros e morais. Por isso, se assinar ou der uma ordem via internet, fique sempre com a cópia da mesma, é prova em tribunal e garante que o banco corrija os erros que possa cometer. Também serve de prova para as Finanças caso a operação bancária tenha implicações tributárias.

Peça sempre uma simulação de revisão de “spread” e nunca uma revisão de spread direta, simulação em papel e carimbada com assinatura do funcionário. Existem casos de bancos que após indicar que gostava de rever o seu “spread”, que lhe indicam para pedir uma revisão de “spread”, fazendo o cliente cair numa armadilha, pois ao calcular o novo spread este fica definitivo e muitas vezes mais alto. Por isso peça uma simulação prévia, só depois de ter o resultado mais baixo na simulação é que deve pedir a revisão de spread indicando sempre o resultado da simulação como o futuro “spread”. Se o banco não cumprir essa simulação poderá alegar que o banco não cumpriu o valor orçamentado, pedindo anulação do novo contrato de “spread”. Acredite, hoje em dia os bancos servem-se de todos os expedientes para aumentar a taxa de juro aos seus clientes;

Se o funcionário do banco lhe diz que não pode fazer algo, ou corrigir algo e você tem a certeza que pode e deve. Poderá estar presente de um mau funcionário, geralmente dizem “não” para não terem trabalho extra. Para evitar isto, deverá requerer ao banco que ponha por escrito as razões da recusa de cumprir uma ordem, isso irá ser usado por você como prova que o banco se recusou a fazer algo. Geralmente se você tiver razão eles fazem logo após ter requerido por escrito, porque sabem que você se estar a preparar para contestar algo superiormente ou em tribunal e nenhum funcionário quer ter problemas com o seu superior e pôr em casa a sua progressão na sua carreira ou arriscar o despedimento com justa causa e ficar desempregado;

Se for a um banco tratar de algo importante, principalmente se for corrigir um erro bancário grave (ou um problema que o banco está a dificultar a resolução), peça uma declaração por escrito por parte do banco como esteve no banco no dia tal à tal hora a tratar do assunto tal, isso também serve como prova em tribunal da sua boa fé em resolver o problema, assim como pode ser usado para pedir uma indemnização em tribunal por danos causados, você perdeu 1 dia de trabalho para ir ao banco, em tribunal o banco vai ter que lhe pagar 1 dia de trabalho no mínimo;

Se o banco lhe pedir uma cópia do seu BI ou do Cartão de contribuinte, pode-se recusar, pois só tem que as dar no momento de abertura da conta, depois o banco que consulte o seu arquivo. Se der cópias, faça um traço atravessado na cópia e escreva por baixo, para uso exclusivo do “Banco x” para o assunto “tal” e meta a referência da folha da operação que preencheu. Isto evita que funcionários desonestos usem os seus dados para outros fins;

Se teve ou tem contas conjuntas com alguém que faleceu, deve logo requerer o encerramento das mesmas com uma certidão de óbito da pessoa falecida. Isso evita problemas com os bancos e finanças. Se não sabe se tem mais contas esquecidas, peça ao banco para ver através dos seus dados, se existem mais contas com o seu nome;

Leia o contrato todo, sempre, por muito chato lhe possa parecer. Se não vê bem compre óculos, mas leia o contrato todo, mesmo as letrinhas miudinhas. Se tem dúvidas sobre algo presente num contrato, pergunte e pergunte e pergunte, não deixe duvidas para depois de assinar um contrato bancário, se necessário peça explicação por escrito e consulte uma associação de consumidores ou um medidador de crédito (o que pode ter custos);

Se lhe fizeram uma ordem sem autorização sua, como o caso que descrevi que encerraram uma conta a um cliente meu sem ordem previa por parte dele. Deve requerer por escrito cópia da ordem que gerou essa operação, se não existir ou se a instituição bancária executou a ordem por engano, o banco terá que repor a situação anterior e repôr juros se for o caso disso.

Porque que um credito pessoal não tem taxas tão baixas como os outros creditos?

July 11th, 2010

Você que já pediu ou pensa pedir um credito pessoal, já se deve ter interrogado do porquê de um empréstimo pessoal ter taxas muito mais elevadas que outro tipo de crédito.

Os creditos pessoais são diferentes da maioria dos outros créditos, pela simples razão que não implicam a existência de uma garantia real por parte do cliente para com o seu banco. Quando um crédito automóvel tem sempre um seguro multirriscos associado ao credito, evitando por isso a perda da garantia caso o veículo automóvel se danifique ou fique destruído em caso de acidente, assim como o carro comprado como garantia real, o mesmo não se passa com os empréstimos pessoais. Assim, o banco tem que aumentar a proteção ao risco de incumprimento por parte do seu cliente. Por isso é que a taxa de juro de uma hipoteca é sempre menor que em outros empréstimos, pois a existência de uma casa garante melhor o retorno do valor emprestado por parte do cliente, pois se o cliente não pagar o seu empréstimo, o banco pode determinar a penhora judicial do imóvel e posterior venda do mesmo e assim recuperar o dinheiro emprestado. A existência de um bem, imóvel, produto financeiro ativo como garantia real também cria um cenário mais favorável de o cliente pagar o seu crédito e por isso de menos risco de o cliente não pagar o seu empréstimo, ninguém no seu perfeito juízo pede um empréstimo para ter um casa onde morar, para depois ficar na rua porque não pagou as suas prestações mensais. Os bancos consideram os empréstimos com garantias reais como bons empréstimos e por isso tendem a reduzir-lhes o prémio de risco, ou seja o chamado “spread” e, por consequência, estes empréstimos têm sempre menores taxas de juro associadas. O único produto de credito que geralmente tem taxas de juro superiores ao crédito pessoal, são os cartões de crédito, pois estes também não tem garantias reais associadas ao crédito. Eu recomendo sempre, que caso necessite de credito sem dar garantias reais ao banco, tente sempre fazer um credito pessoal ao invés de usar o cartão de credito, pois quando se usa um cartão de credito, tem-se tendência a perder a noção dos limites do gasto, depois o cartão de credito tem taxas iniciais de juro muito competitivas, mas ao fim do mês seguinte, estas ficam muito superiores às de um crédito pessoal. Depois, também permite pensar antecipadamente e não agir por impulso na compra de algo que até pode não nos ser realmente útil e pesquisar que banco tem a melhor taxa de juro para o credito pessoal que necessita. Além disso, pode sempre apresentar uma garantia real para baixar o “spread” e, por consequência, a taxa de juro e prestação do seu crédito pessoal. Como garantias reais, pode usar ativos financeiros que tenha no seu banco, como por exemplo: obrigações, ações ou depósitos a prazo. Existem Bancos que após a apresentação de garantias de valor duas superiores à quantia pedida em empréstimo, conseguem apresentar ao cliente um “spread” na ordem dos 3% ficando por exemplo em Portugal um empréstimo pessoal com uma taxa de juro na ordem dos 5% a 6% ao ano. Outra maneira de baixar o “spread” e taxas de juro é apresentar 1 ou mais fiadores, mas regra geral não é pedido a existência de fiadores neste tipo de crédito por parte dos Bancos.

Um credito pessoal sem garantias reais deverá sempre ser evitado e muito menos deverá ser algo feito precipitadamente, pois poderá ficar a pagar uma prestação muito superior sem necessidade. Caso perdesse (na minha perspectiva investisse) algum tempo a falar com o seu banco e outros bancos (nunca esquecer que os bancos tem concorrência), você não é obrigado a usar sempre o seu banco habitual. Telefone e passe pelas agências dos bancos e peça propostas, depois pondere e esclareça todas as suas dúvidas com os bancos e posteriormente mande para a “mesa de negociações” a proposta mais baixa e assim talvez consiga uma melhor proposta, com menor taxa de juro e prestação mais suave para o seu orçamento. Como viu é sempre possivel conseguir um credito pessoal com juros mais baixos e pagar menos se optar por dar uma garantia real ao seu emprestimo pessoal. Já lhe ensinei um segredo de como conseguir um credito pessoal com juros baixos, algo que os bancos não gostam muito de explicar aos seus clientes. Um cliente para o banco é gado, de onde todo o seu dinheiro tem que ser sugado, sem qualquer remorso. Ao negociar um credito pessoal seja um matador implacável, atire um banco contra o outro, eles odeiam a concorrência do banco vizinho, mas nós adoramos. E quanto mais baixarem as suas taxas de juro do seu futuro emprestimo pessoal para não perdervocê como cliente ou para conquistar você como um novo cliente, melhor!

Crédito pessoal para pensionistas (reformados e aposentados)

October 28th, 2009

Já existe no mercado bancário oferta deste tipo de empréstimo pessoal para pessoas que já se encontram aposentadas, tendo por isso como única fonte de rendimento estável as suas pensões. Quantas vezes uma pessoa que vive da sua pensão já perguntou: “Sou pensionista, posso pedir um empréstimo pessoal?”

 

Felizmente a resposta para a sua pergunta é: Sim, pode obter um empréstimo pessoal. Qualquer entidade bancária pode conceder um crédito a um pensionista, se este cumpre os requisitos requeridos e estipulados pelo banco ou caixa de crédito.

 

As principais limitações a um credito deste tipo são a idade e o valor do rendimento da pensão que aufere que a pessoa que o requer, assim como é muito importante saber que a duração do empréstimo, mais a idade da pessoa que solicita o empréstimo não podem superar a idade máxima estabelecida pelo banco ou caixa de depósitos.

 

Documentação necessária para pedir um crédito para pensionistas ou reformados:

 

Em Portugal:

Além da documentação habitual, comum documento de identificação (Bilhete de Identidade e cartão com o seu Número de Contribuinte), a entidade bancária irá necessitar do seu último comprovativo de reforma (um estrato de conta ou cópia do vale reforma) e claro a sua última declaração de impostos (IRS).

 

Alguns bancos, dispõe de produtos de financiamento específicos para pensionistas, entre os quais destacamos:

 

No Brasil:

Necessita de CPF e a comprovante de residência. Segundo as regras do INSS sobre a idade não existe um limite de idade para um empréstimo, o que acontece é que frequentemente é que as instituições financeiras que fornecem os empréstimos impõem limites de idade. A margem consignável do empréstimo é de 30% e irá recuar para 20%. Esta decisão foi governamental, devido aos aposentados estarem endividados demais. Isto leva a que você pode pedir um empréstimo de 30% no máximo do seu rendimento anual. Esta medida foi contestada por muitos setores, mas é uma medida que visa reduzir o nível elevado do endividamento do povo brasileiro. Por isso não existe um limite para um empréstimo, mas nunca irá ser superior aos 30% dos seus rendimentos anuais.
Os juros de crédito que um banco ou financeira podem cobrar ao aposentado são de 2,64% para os pensionistas do INSS com um prazo máximo de pagamento de 36 meses. Os bancos não podem cobrar uma taxa de abertura de crédito para empréstimos para aposentados e pensionistas do INSS. Esta situação acontece porque está indicado na lei e os bancos não têm risco e não necessitam de analisar o crédito pois as instituições financeiras descontam o dinheiro direto da folha de pagamento do pensionista.

Por exemplo, o Banco Real oferece uma linha de crédito chamada “Crédito da Boa Idade”, não só aos seus clientes aposentados e pensionistas do INSS que recebem as suas pensões através de cartão magnético, assim como este empréstimo é concedido a pessoas não correntistas no banco. Este crédito permite fazer saques de valor desejado com um mínimo de R$ 150 e um máximo de R$ 5000.

O pagamento deste empréstimo poderá ser feito em parcelas de prestação que podem permitir pagar este crédito de 4 a 24 vezes, com taxas de juro das mais competitivas do mercado bancário.

O vencimento das parcelas do empréstimo será feito nas datas que o pensionista recebe o seu benefício da Previdência, o que transforma este tipo de empréstimo num emprestimo consignado na realidade. Para obter este crédito o interessado só tem que visitar uma agência bancária do Banco Real. Caso não tenha conta no banco, deverá solicitar a abertura de uma nova conta.

 

Em Portugal:

Diversos bancos fazem créditos e empréstimos bancários a seniores até aos 70 anos sem grandes dificuldades e com taxas bastante competitivas. Eventualmente os bancos ou outras entidades bancárias de crédito, poderão requer alguma ou algumas garantias reais além da reforma da pessoa que pede o credito. Para idades superiores a esta, o interessado deverá contactar o banco ou visitar uma agência bancária e assim esclarecer as suas dúvidas e saber os termos do empréstimo. No entanto um seguro de vida será sempre exigido e este poderá ter um custo superior à média devido à existência de patologias referenciadas à idade do requerente do empréstimo que por consequência lhe traz uma mais elevada taxa de risco de incumprimento ou mesmo de existência de crédito mal parado por falecimento do requerente.

Eventualmente ser-lhe-á aplicado um spread à taxa base de referencia, maior que o spread médio habitual para esta operação de crédito devido à existência de uma maior taxa de risco para o banco.

O melhor crédito para estudar

August 29th, 2008

Conheça todos os produtos do mercado. Juros cobrados variam entre 7% e 20%.

Sandra Almeida Simões

O regresso às aulas já tem data marcada e se as despesas das famílias portuguesas com crianças em idade escolar aumentam consideravelmente nesta época, para quem frequenta o ensino superior os gastos são muito mais elevados.

Pedir um crédito para financiar a licenciatura ou formação superior é uma solução, mas só para quem não tem capitais próprios. Um crédito de 16 mil euros, a pagar em cinco anos, encarece entre quase 7 mil euros e cerca de 10 mil euros, consoante a modalidade escolhida. Aliás, contrair um empréstimo dos bancos para estudar pode mesmo custar o dobro de um crédito pessoal.

As contas são da Associação da Defesa do Consumidor (DECO), publicadas na última edição da revista “Dinheiro e Direitos”, baseadas em dois cenários distintos: o crédito para uma licenciatura de 16 mil euros, a pagar em cinco anos, com carência de capital e libertação do dinheiro em quatro tranches. Neste caso, a linha com garantia do Estado é a oferta mais barata, com juros de 6,23%. Segue-se a oferta da Caixa Geral de Depósitos (CGD) que cobra juros de 7,85%, enquanto o Banif tem juros de 14,81%.

No outro cenário – para uma pós-graduação por exemplo – o empréstimo é de 5 mil euros a dois anos, sem carência de capital nem entregas faseadas do montante de financiamento. Neste caso, o BES é o mais barato (8,17%), mas no entanto só financia propinas. O Popular cobra a taxa mais alta, de 20,23%.

A maioria dos produtos analisados pela DECO permitem ao aluno começar a amortizar o capital em dívida um ano após terminar a formação. Até lá, só paga juros (carência de capital). No entanto, esta opção encarece o custo total do crédito. O custo médio de um crédito de 16 mil euros, com carência de capital, é de quase 27 mil euros, enquanto sem carência fica por cerca de 24 mil euros. Por outro lado, optar por receber o financiamento em tranches, é mais barato, porque o estudante só pagará juros sobre os valores entregues. Ao dividir 16 mil euros por em quatro vezes, o aluno poupará 1.200 euros em cinco anos.

Principais características e custos de créditos para estudantes do ensino superior disponíveis no mercado nacional

Estado – Crédito universitário
Para todas as finalidades, é o financiamento que oferece a taxa mais baixa do mercado nacional, de 6,23% para um empréstimo de 16 mil euros a cinco anos.

CGD – Crediformação e Bolonha
A CGD tem o crédito para formação Bolonha e para não Bolonha. Até 50 mil euros, o prazo estende-se até 168 meses, com carência de capital até 12 meses após o curso.

Banco Espírito Santo – BESup Vida Académica
Este empréstimo, que poderá ser usado para todas as finalidades, apresenta uma taxa fixa de 8,15% e pode ascender aos 60 mil euros para quem vai para o estrangeiro.

BBVA – Super Crédito Pessoal
Disponível para doutoramento, mestrado e pós-graduação, com TAEG de 8,30%. O BBVA tem ainda o Super Crédito Pessoal. Licenciatura com um custo de 9,42%.

Banco BPI – Crédito Formação BPI
O banco liderado por Fernando Ulrich oferece dois tipos de produtos. Para os estabelecimentos de ensino com protocolo, a TAEG é de 8,99%, para os restantes é de 9,30% e não tem carência de capital.

Caixa Galicia – Crédito Pessoal Formação Superior
Financia de  1.500 a 30 mil euros, de 24 a 120 meses e possibilita a entrega de tranches, na data das propinas. Estipula a carência de capital durante 36 meses e aplica uma TAEG de 9,53%.

Banif – Para todas as finalidades
O Banif empresta de 3.500 a 50 mil euros, a pagar de seis a 120 meses. Permite a entrega por tranches, aplica juros de 14,81% e tem carência de capital até 66 meses.

Santander Totta – Crédito Master
O banco não permite tranches, empresta até 75 mil euros, por um prazo que se estende até 60 meses. Para um crédito de 5 mil
euros a dois anos cobra juros de 14,36% .

Banco Espírito Santo – Crédito propinas
Com a finalidade de facilitar o pagamento das propinas, o crédito do BES pode ascender a 5 mil euros, até 96 meses. Não permite a entrega por tranches e não tem carência de capital.

Banco Popular – Para todas as finalidades e formação
O Popular cobra 20,23% para um crédito de 5 mil euros a dois anos. Financia de 1.250 euros a 50 mil euros e não permite a entrega dos montantes de forma faseada.


Dicas da DECO

-  A associação de Defesa do Consumidor, DECO, apresenta quatro sugestões para pagar menos.

-  Contactar as câmaras municipais da área de residência. Algumas dão bolsas de estudo.

-  Instituições, como a Gulbenkian a Fundação Oriente, têm bolsas para alunos carenciados, com boas notas ou que fazem investigação em áreas específicas.

-  Pedir uma bolsa de mérito também pode ser uma solução.

-  Para os estudantes trabalhadores, pedir um incentivo à entidade patronal é ainda uma alternativa.